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Por que os cristãos guardam o domingo e não o sétimo dia ?



1.O sábado faz parte da aliança exclusiva entre Deus e Israel (Êx 31.12-17) e, antes do concerto do Monte Sinai. Deus não ordenou a ninguém que guardasse o sábado.
2.O sábado não é uma instituição perpétua (Rm 10.4); Oséias profetiza a abolição do sábado (2.11 ).
3.Jesus Cristo não guardou o sábado como mandava a tradição oral dos fariseus (Jo 9.16). Embora Ele tenha cumprido todos os mandamentos de Deus (Jo 15.10).
4.O Novo Testamento não exige que se guarde o sábado, mas frequentemente reitera todos os demais mandamentos. Segundo Paulo, nós estamos debaixo de uma nova aliança caracterizada pela graça (Rm 8.6-13) c não somos julgados por causa de "dia de festa, ou lua nova. ou sábados" (Cl 2.16).
5.Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou c venceu a  morte no primeiro dia da semana, oferecendo-nos, assim, o maior sábado, o maior livramento: a libertação do domínio do pecado (Mt 16.9). Também foi nesse dia que Ele apareceu aos discípulos (Jo 20.1. 19. 26). impetrou a Sua bênção e outorgou a grande comissão (Lc 24.13,36,50; Mt 28.19,20).
6.O Espírito Santo desceu c inaugurou a Igreja num domingo, pois o Pentecoste é comemorado cinquenta dias depois do sábado da Páscoa. E foi nesse mesmo dia que Pedro levou pelo menos três mil pessoas ao arrependimento e batismo.
7.Há evidencias históricas de que a igreja primitiva e a igreja apostólica guardavam o primeiro dia da semana muito antes de 325 A. D.:
a) Atos 20.7 comprova que havia ceia, reunião, exortação e pregação, enquanto 1 Coríntios 16.1, 2 sustenta que havia campanhas e recolhimento de oferta no dia de domingo;
b) Inácio de Antioquia afirma que o "dia do Senhor é o príncipe entre as demais dias";
c) Em sua epístola, por volta de 120 A. D., Barnabé declara: "Guardamos com alegria o oitavo dia, o dia também em que Jesus ressurgiu da morte";
d) Clemente afirma: "De acordo com o evangelho, um cristão observa o 'dia do Senhor', glorificando desta maneira a ressurreição de Cristo";
e) No início do segundo século da era cristã. Irineu dá testemunho, de que "no dia do Senhor, todos nós, os cristãos, guardamos o dia de repouso, meditando na lei e regozijando-nos nas obras de Deus";
f) Justino, o mártir do segundo século, afirma; "Ora o domingo é o dia em que todos nós temos nossa assembleia comum"; e
g) Eusébio. historiador da igreja, declara: "O dia da ressurreição, ou seja. o dia do Senhor era observado em todo o mundo".
8.No Novo Testamento grego, a palavra correspondente a "domingo" é Kyriake Hemera (Ap 1.10). E o termo "dia do Senhor" contém a idéia fundamental da palavra hebraica "sábado", '"descanso", porque o verdadeiro repouso eterno está em Cristo (Hb 4.9-11; Ap 14.13).
Fonte:Hans Ulrich Reifler – A Ética dos Dez Mandamentos.

O HOMOSSEXUALISMO.

O homossexualismo é uma das perversões mais chocantes apresentadas pela Bíblia. O apóstolo Paulo condena o homossexualismo com palavras duras: “Por isso Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seus próprios corações, para desonrarem os seus corpos entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura, em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém. Por causa disso os entregou Deus a paixões infames; porque até as suas mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas, por outro contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo em si mesmos a merecida punição do seu erro” (Rm 1.24-27).
A discussão em torno do homossexualismo tornou-se mais fervorosa devido ao surgimento da AIDS, e a polêmica é tão grande que muitas vezes os problemas reais são esquecidos. Sempre é mais fácil, e até mais cômodo, criticar e condenar do que realmente ajudar. Antes de julgarmos a questão do homossexual, precisamos definir a terminologia e a problemática, além de seu desafio. Depois convém analisar o ensino bíblico, antes de se estudar as conseqüências práticas para as igrejas evangélicas de hoje.
Homossexual é a pessoa que mantém ou deseja relações sexuais com pessoas do mesmo sexo. O homossexualismo é a relação sexual de pessoas do mesmo sexo ou a tendência para sua prática. O lesbianismo é a manifestação específica do homossexualismo entre mulheres.
A problemática e o desafio do homossexualismo têm origem na disposição sexual distorcida do indivíduo. Do ponto de vista da antropologia bíblica, Deus criou o ser humano, “homem e mulher os criou” (Gn 1.27). “O ho­mossexualismo falha contra a necessária complementaridade entre o homem e a mulher. O homossexual não aprende a 'linguagem' diferente do outro sexo. Ele tem medo do outro sexo, vê-se privado da capacidade de aceitar e apreciar a diversidade sexual; falta-lhe a confiança que leva a pessoa a acreditar que o outro tem algo a dizer.”
Os homossexuais representam diversas classes sociais e profissionais. Alguns deles se organizam em grupos e associações para facilitar os contatos, reivindicar os direitos, trocar informações e obter assistência social para seus membros.
Os argumentos e as reivindicações destas organizações são quase idênticos em todo o mundo. Alega-se que o homem ou a mulher não estão destinados ao heterossexualismo no momento do nascimento. A questão da volúpia e da satisfação sexual em si é mais importante do que sua manifestação cultural. Portanto, não se deve fazer um julgamento moral, considerando como certo ou errado. A exigência heterossexual de uma sociedade discrimina, persegue e marginaliza o homossexualismo. Outro argumento é que o amor sincero, a sexualidade, o apoio moral e o equilíbrio emocional podem encontrar sua satisfação e plenitude cultural também no homossexualismo.
Surgem, então, as exigências homossexuais: o reconhecimento público, social, eclesiástico e jurídico do homossexualismo como manifestação sexual normal, a convivência homossexual descriminalizada, mesmo com menores, e o direito ao casamento civil, à comunhão de bens e à adoção de filhos.
O Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gn 2.18). Deus criou a mulher e a conduziu para Adão. Ao receber sua mulher, Adão reconhece: “Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada” (Gn 2.23). O homem e a mulher receberam nomes diferentes porque são desiguais em sua natureza sexual e na tarefa natural, embora tenham sido criados dos mesmos ossos e da mesma carne. União e diversidade fazem parte do homem e da mulher como norma divina.
Lemos em Gênesis 1.27 que Deus criou o homem “à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Nesse texto, “homem” é um termo genérico que se refere ao casal, homem e mulher, o qual reflete a imagem de Deus em sua união e diversidade. Deus afirma que essa criação era muito boa (Gn 1.31), porque era a revelação da norma e o reconhecimento divino da união e da diversidade sexual. Adiante lemos: “Por isso deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gn 2.24). Conclui-se que Deus só aprova a relação sexual entre um homem e sua mulher. Portanto, o heterossexualismo é a norma divina para toda prática e tendência sexual. O heterossexualismo não precisa ser vivido mas, se for, deve ocorrer dentro do matrimônio, pois essa é a única expressão da relação e comunhão sexual prevista pelo Criador.
O que está implícito na história da criação mais tarde torna-se lei. Levítico 18.22 proíbe o homossexualismo: “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher: é abominação”. A prática homossexual recebe cinco vezes a forte crítica de ser uma abominação (Lv 18.22, 26, 27, 29, 30). Na Bíblia e na cultura hebraicas, o verbo "abominar" tem o sentido de detestar, odiar. O homossexualismo constitui uma ofensa à santidade moral de Deus. Em Levítico 18.24, o Senhor qualifica a prática homossexual como contaminação e, em Levítico 18.26, a proibição homossexual é aplicada tanto ao israelita quanto ao estrangeiro. O castigo previsto era a morte: “Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram cousa abominável; serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles” (Lv 20.13).
A história de Sodoma e Gomorra nos alerta contra a decadência moral do homossexualismo e suas conseqüências dramáticas para uma população inteira (Gn 19.1ss.; 2 Pe 2.7, 8; Jd 7). Em Juizes 19.22-26, a história do levita e sua concubina mostra para onde a loucura do homossexualismo pode conduzir o homem.
O Novo Testamento já não fala a respeito da morte física como forma de castigo, mas salienta que o homossexual não herdará o reino de Deus (1 Co 6.9,10; Ap 21.8).
Para Paulo, a prática homossexual é uma imundície, uma concupiscência do coração que desonra o corpo (Rm 1.24); é uma paixão infame que vai contra a natureza (Rm 1.26); é resultado de uma sensualidade exacerbada, uma torpeza (Rm 1.27). Tanto o lesbianismo quanto o homossexualismo masculino devem receber a merecida punição (Rm 1.26, 27).
Em 1 Timóteo 1.9-11, Paulo condena o homossexualismo, juntamente com o assassinato, o roubo e a rebeldia, por ser algo contrário à sã doutrina e ao evangelho da glória de Deus.
Em 1 Coríntios 6.9ss. temos ainda uma referência aos efeminados (grego malakoi: “suaves”, “sensíveis”), que se entregam para serem abusados homossexualmente, e aos sodomitas (arsenokoitai: homens; arsen: “masculino”), que se deitam na cama (koitê: “cama”). O destino desses homens é descrito com palavras trágicas: eles não herdarão o reino de Deus (1 Co 6.10).
Felizmente, 1 Coríntios 6.10 não é a última palavra do apóstolo quanto à problemática do homossexual. No versículo seguinte, Paulo muda radicalmente seu tom. É surpreendente que possa afirmar: “Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados, em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus”. Ele se refere diretamente às pessoas mencionadas no versículo anterior, e a dura sentença “não herdarão o reino de Deus” é cancelada por três orações adversativas: “mas vós vos lavastes”, “mas fostes santificados” e “mas fostes justificados”. Isso significa que a última palavra é de esperança, graça, perdão. Existe uma possibilidade de recomeço. “Tais fostes alguns de vós” indica também que na igreja de Corinto havia homossexuais restaurados e curados. Pode-se concluir que existe uma esperança de transformação real para o homossexual. A resposta terapêutica não é apenas fazer com que ele se interesse por alguém do sexo oposto ou, então, que se mantenha em castidade para vencer seus hábitos; é também buscar o perdão em Cristo para ser lavado, santificado e justificado. Cristo pode livrar do pecado do homossexualismo (Jo 8.36; 1 Co 6.11; 2 Co 5.17). Esta mensagem e terapia de esperança e transformação precisa ser anunciada e oferecida ao homossexual para que ele possa vencer seu pecado.
De que maneira as igrejas evangélicas lidam com a problemática do homossexualismo? É justo discriminar o homossexual?
Como evangélicos, reconhecemos que a palavra de Deus é a completa revelação da suprema vontade de Deus para nossa vida. Por isso, afirmamos que o homossexualismo é pecado diante de Deus e o homossexual é responsável por seus atos. Ao mesmo tempo, porém, enfatizamos com toda convicção escriturística que este pecado pode ser vencido pela graça divina (1 Co 6.11), pois Cristo padeceu na cruz também pelo pecado do homossexualismo. O evangelho de Jesus Cristo é o poder de Deus que transforma aquele que está em Cristo (2 Co 5.17).
Outra conseqüência prática é que, quando o homossexual confessa suas atitudes pecaminosas diante de Cristo, ele experimenta o poder da ressurreição e renovação do Espírito Santo para romper com a antiga vida, incluindo seus parceiros homossexuais, e viver em santificação para a glória de Cristo (2 Co 5.15). A cura dos sentimentos nem sempre é imediata, mas há transformação através da presença real de Cristo em sua vida.
Quando um homossexual se converte, seus desejos íntimos e fantasias sexuais também precisam ser transformados pela graça divina, e isso exige tempo. Os cristãos precisam aprender a oferecer apoio, e não críticas. As tentações nunca cessarão (Tg 1.13-15) enquanto estivermos nesta vida, mas é possível obter vitória em Cristo. O homossexual precisa de acompanhamento pastoral intensivo.
A comunhão viva entre cristãos é de suma importância para o homossexual. A falta de paciência, compreensão, amor e tato, e o farisaísmo e legalismo evangélicos podem distanciá-lo da igreja local. A igreja também deve ser lugar de correção, mudança, transformação e cura: o homossexual que não quer se sujeitar a Romanos 12.1, 2, rejeitando constantemente a ajuda cristã, deve ser advertido e eventualmente disciplinado. A igreja deve zelar por sua santidade e pela de seus membros, porque somos santuário do Espírito Santo e fomos comprados pelo precioso sangue de Jesus Cristo para glorificar a Deus em nosso corpo (1 Co 6.19, 20). A igreja autêntica não discrimina o homossexual, mas ajuda-o a vencer seus problemas dentro de uma comunhão fraterna e paciente.

Fonte: Hans Ulrich Reifler – A Ética dos Dez Mandamentos.

A OPÇÃO CELIBATÁRIA


A história do cristianismo tem encarado a opção celibatária de dois pontos de vista exclusivistas e quase opostos. De um lado encontra-se a teologia monástica, que vê na vocação celibatária um meio para se alcançar a vida eterna e a perfeição moral, encarando a sexualidade como algo mundano e impuro. A conseqüência dessa linha de pensamento é que alguns fiéis deixaram seu estado matrimonial para entrar no paraíso do mosteiro. Do outro, está o protestantismo ortodoxo, que tem enfatizado, às vezes em demasia, que o matrimônio é um mandamento divino a ser obedecido para que haja procriação e para se prevenir contra a impureza sexual O resultado prático desse raciocínio simplificado foi a morte da vida monástica e a desvalorização quase total da vida solitária.
A ética cristã certamente não pode ignorar as tradições e interpretações históricas, mas sua tarefa primária é inquirir como as Escrituras Sagradas encaram a questão.
O celibato é a opção do homem ou da mulher que, por qualquer motivo, não desejam ou não podem assumir o matrimônio. O estado secular reconhece esta opção como posição jurídica. Daí diferenciarmos legalmente o estado civil como solteiro/a, casado/a, viúvo/a ou divorciado/a.
O verdadeiro problema da questão celibatária não é de dimensão teológica, isto é, averiguar se é ou não uma opção válida, haja vista que Jesus fala abertamente dessa possibilidade (Mt 19.12) e Paulo a recomenda devido à situação escatológica em que a igreja se encontra (1 Co 7.8, 26). O conflito nasce quando alguém deseja assumir o matrimônio mas, por qualquer motivo, não encontra o cônjuge ideal. O fato de uma pessoa não achar um parceiro pode indicar que ela é vocacionada a permanecer só? O celibato é uma opção voluntária ou imposta pelas circunstâncias?
No ensino de Jesus (Mt 19.12), encontramos três tipos de pessoas que podem ser levadas a permanecerem solteiras: a) "eunucos de nascença" (Mt 19.12a), provavelmente uma indicação de deformação física que impede de assumir o matrimônio; b) "outros a quem os homens fizeram tais" (Mt 19.12b), indicando eunucos que foram fisicamente castrados nas cortes do oriente; e c) "outros que a si mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus" (Mt 19.12c) — são os que assumiram voluntariamente o celibato. Jesus apóia a opção celibatária como um dom específico (Mt 19.11). Carisma e aptidão natural são, portanto, duas condições indispensáveis para o sucesso da vida celibatária. A negação da identidade sexual, como acontece com o homossexual, não é uma justificativa bíblica para se ficar solteiro. Somente a dedicação total ao serviço do evangelho justifica o celibato voluntário. O solteiro que não possui carisma nem aptidão para isso deve procurar contrair núpcias dentro da vontade de Deus, porque Ele ordenou o matrimônio como norma natural (Gn 1.28; 2.18; 1 Co 7.2).
Por outro lado, seria trágico se os evangélicos caíssem na armadilha do idealismo filosófico de Fichte, que afirmou que os solteiros não são pessoas plenas. A história das missões e instituições sociais cristãs demonstra justamente o contrário. Muitas mulheres solteiras provam a validade do celibato como opção para servir melhor e com mais dedicação ao Senhor.
Do ponto de vista bíblico, vimos que a vocação celibatária não se impõe; antes, é uma questão de carisma (Mt 19.12; 1 Co 7.7), aptidão natural e direção clara de Deus. É uma opção, e não uma obrigação impossível de ser cumprida. A Bíblia mostra que Deus pode vocacionar para a vida celibatária, conforme Sua soberania.
O profeta Jeremias foi vocacionado, isto é, chamado por Deus para ficar solteiro (Jr 16.2), para ilustrar publicamente a vida solitária do povo de Deus (16.3). Certamente não foi fácil para o profeta chorão permanecer nessa condição. Mas Deus, em Sua soberania, planejou a vida de Jeremias desta maneira, e quando Deus planeja uma coisa para Seus filhos, Ele também lhes dá poder a fim de cumprirem a missão especial para a qual foram chamados (Rm 8.28).
Jesus Cristo viveu uma vida moralmente exemplar e celibatária, sem pecado, embora tenha sido tentado como nós (Hb 4.15). Os filmes populares que retratam Jesus com pensamentos adúlteros em relação a Maria Madalena não têm sustentação escriturística, histórica ou eclesiástica, distorcendo a verdade do evangelho e a boa fé. Além disso, Jesus é um exemplo clássico de celibato por causa do reino dos céus (Mt 19.12). Pelo menos não possuímos provas históricas nem indicações bíblicas nos quatro evangelhos de que Jesus tivesse tido uma namorada ou noiva, fosse casado ou viúvo, ou tivesse uma sogra, como Pedro. Em Seu ensino, Jesus apontou para a temporariedade do matrimônio (Mt 22.30). Seguir a Cristo pode ser mais importante do que os deveres matrimoniais (Lc 14.26; 18.29, 30).
O apóstolo Paulo nos fornece a argumentação mais abrangente a favor da vida celibatária em todo o Novo Testamento. Não resta dúvida de que Paulo foi influenciado pelo sofrimento escatológico da Igreja (1Co 7,26-31). Mas seus argumentos não se baseiam apenas nas tribulações e tentações escatológicas (w. 32-35). Antes, ele insiste que a pessoa solteira é mais livre de preocupações domésticas (v. 32) e, portanto, pode servir ao Senhor desimpedidamente (v. 35).
Essas considerações paulinas de maneira nenhuma desvalorizam o matrimônio. Paulo ensina que não é pecado casar (1 Co 7.28) e reprime quem se atreve a condenar ou proibir o casamento (1 Tm 4.1-3). Ele ainda recomenda que as viúvas jovens contraiam novas núpcias (1 Tm 5.14).
Os propósitos específicos do celibato no contexto bíblico são: dedicar mais tempo para servir o evangelho (Mt 19.12); estar livre das preocupações domésticas normais (1 Co 7.32); não dividir o tempo e os interesses (1 Co 7.33, 34); e servir desimpedidamente ao Senhor (1 Co 7.35). O propósito supremo do celibato cristão é servir ao Senhor. Em nenhuma dessas referências o celibato é visto como algo superior ou mais espiritual do que o casamento, ou como meio para alcançar a perfeição moral neste mundo.

Fonte: Hans Ulrich Reifler – A Ética dos Dez Mandamentos