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TIPOS DE APOLOGÉTICA.

Existem diferentes tipos de sistemas de apologética, mas não existe um meio universalmente reconhecido para categorizá-los. Abordagens divergentes parecem ser determinadas pela perspectiva da pessoa que as categoriza. No entanto, existem alguns termos geralmente aceitos que se podem usar para perceber de maneira significativa as diferenças entre as abordagens mais populares.

APOLOGÉTICA CLÁSSICA. A apologética clássica enfatiza argumentos a favor da existência de Deus, assim como a evidência histórica que apoia a veracidade do cristianismo. A apologética clássica é caracterizada por dois passos básicos: argumentos teístas e comprobatórios.
APOLOGÉTICA EVIDENCIAL. A apologética evidenciai enfatiza a necessidade da prova para apoiar as afirmações das verdades cristãs. A evidência pode ser racional, histórica, arqueológica, e até experimental. Como é muito ampla, esta categoria se sobrepõe a outros tipos de apologética.
APOLOGÉTICA EXPERIMENTAL. Alguns cristãos apelam principalmente, mas não exclusivamente, à experiência como evidência da fé cristã. Alguns apelam à experiência religiosa em geral. Outros a experiências religiosas especiais. Nessa segunda categoria estão os que enfocam experiências místicas e outros que identificam o que acreditam ser experiências de conversão especificamente sobrenaturais.
APOLOGÉTICA HISTÓRICA. A apologética histórica enfatiza a evidência histórica como base para demonstração da veracidade do cristianismo. Esses apologistas acreditam que mesmo a existência de Deus, pode ser provada apenas pela evidência histórica. Por um lado, a apologética histórica pertence à classe mais ampla da apologética comprovatória, mas é diferente porque enfatiza a importância, até mesmo a necessidade, de começar com o registro histórico para comprovar a verdade do cristianismo.
APOLOGÉTICA PRESSUPOSICIONAL. A apologética pressuposicional afirma que é preciso defender o cristianismo a partir do alicerce de certas pressuposições. Geralmente o adepto desta escola de apologética pressupõe a verdade básica do cristianismo e depois continua demonstrando que só o cristianismo é verdadeiro.

Fonte: Enciclopedia de Apologética - Norman L. Geisler.

REVELAÇÃO PROGRESSIVA.


Às vezes os críticos das Escrituras chegam à conclusão precipitada de que a Bíblia contém erros porque Deus ordena algo diferente de um período para outro. O exemplo clássico é a ordem de Deus sobre os sacrifícios de sangue para expiar o pecado sob a Lei de Moisés. Estes não são mais válidos por­que Cristo se ofereceu como o sacrifício expiatório definitivo que os sacrifícios animais prenunciavam (v. Hebreus 7-10). Da mesma forma, Deus ordenou que Adão comesse apenas plantas (Gn 1.29,30). No entanto, depois do dilúvio, mandou Noé comer carne. A Lei mosaica proibia comer certos animais por se­rem impuros (Lv 11). Porém Jesus anunciou que esses animais eram puros, e podiam ser comidos (Mc 7.19; At 10.14,15; l Tm 4.4). Essas não são contradições, mas exemplos de revelação progressiva.
O princípio da revelação progressiva significa que Deus não revela tudo ao mesmo tempo nem sempre estabelece as mesmas condições para todos os períodos. Revelações posteriores apresentam coi­sas que suplantam as anteriores. Logo, o At revelava apenas sinais da Trindade ensinada no Nt (p. ex., Mt 3.16,17; 28.18-20). O Nt declara explicitamente o que estava apenas implícito no At.
Deus pode mudar qualquer coisa que não envolva uma contradição ou que não vá contra sua natureza imutável (Ml 3.6; 2 Tm 2.13; Tt 1.2; Hb 6.18). Deus pode mudar fatores não-morais sem qualquer razão aparente ou afirmada. O mandamento dado aos seres humanos de serem herbívoros, mudado para serem onívoros (Gn 1.29,30; 9.2,3), é um exemplo; mudanças nas leis cerimoniais são outro exemplo. São mandamentos diferentes, de épocas diferentes, que Deus tinha razões diferentes para decretar, mesmo sem nosso conhecimento completo (Dt 29.29).
Às vezes Deus ordena mudanças por causa das condições da humanidade. Tal é o caso da permissão para o divórcio "por qualquer motivo" no AT e uma proibição forte no NT (Mt 19.3). Jesus disse que a lei original era "por causa da dureza de coração de vocês" (19.8). Às vezes Deus tolera certas coisas por causa de tempos de ignorância (At 17.30); mais tarde, porém, não as tolera.
Uma razão importante para mudança é que Deus está revelando um plano. Esse plano tem estágios nos quais algumas coisas são necessárias e estágios em que outras coisas são necessárias. Quando um "tipo" de profecia se cumpre (o sangue do cordeiro), quando se torna realidade, o tipo não é mais necessário. Quando o fundamento da igreja foi estabelecido sobre os apóstolos (Ef 2.20), eles não foram mais necessários.
À luz do princípio de revelação progressiva, as revelações posteriores não são contraditórias, mas complementares. Elas não erram, mas revelam mais verdade. Revelações posteriores não negam as anteriores; apenas as substituem. Já que não foram dadas a todos, mas apenas para um período específico, não se contradizem quando mudam. Não há mandamentos contraditórios para o mesmo povo ao mesmo tempo.
Um exemplo de revelação progressiva pode ser visto em toda família que tem filhos em fase de crescimento. Quando são bem pequenos, os pais deixam os filhos comer com as mãos. Mais tarde, os pais insistem no uso da colher. Finalmente, à medida que a criança progride, o pai manda usar o garfo. Essas ordens são temporárias, progressivas e adequadas para a situação.

Fonte: Norman L. Geisler – Enciclopédia de Apologética