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A MATANÇA DOS CANANEUS ERA UMA LEI DE "GENOCÍDIO DIVINO"?


William Lane Craig em seu livro, A Reasonable Response: Answers to Tough Questions on God, Christianity, and the Bible, lançado no Brasil por edições vida nova com o seguinte título: Razão da nossa fé. A respostas a perguntas difíceis sobre Deus o cristianismo e a Bíblia, falando sobre a matança dos filhos dos canaanitas e a graça de Deus, diz:
“Além disso, se acreditarmos, como eu, que a graça de Deus é estendida àqueles que morrem na infância ou como crianças pequenas, a morte dessas crianças é realmente a salvação delas. Estamos tão ligados a uma perspectiva terrena e naturalista que nos esquecemos de que aqueles que morrem estão felizes em abandonar esta terra pela incomparável alegria do céu. Portanto, Deus não faz o mal a essas crianças em tirar suas vidas.”
Eu não concordo e confesso que é um argumento muito difícil de aceitar, pelas seguintes razões:
Em primeiro lugar, se as crianças são salvas dessa maneira, existi outro caminho de salvação o qual não é sustentando pelas escrituras que dizem só haver um, Jesus Cristo, veja:
E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos - Atos 4.12.
Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim - João 14.6.
Em segundo lugar, as escrituras dizem claramente que todos pecaram e carecem da glória de Deus, não há um justo nenhum sequer e que o salário do pecado é a morte (Romanos 3.23, 3.10, 6.23). Portanto não há inocentes!

*Tradução livre by Mazinho Rodrigues.
Fonte: A Reasonable Response: Answers to Tough Questions on God, Christianity, and the Bible.

Søren Kierkegaard e a Apologética

O existencialista dinamarquês de meados do século XIX Søren Kierkegaard(1813 -1855) também faz um tipo de apologética negativa da fé cristã. Ele crê que a vida é vivida em três planos ou estágios diferentes:o estágio estético, o estágio ético e o estágio religioso. O ser humano no estágio estético vive apenas no nível sensual, leva uma vida centrada em si mesmo e no prazer. Isso não precisa ser hedonismo grosseiro. As pessoas nesse nível podem ser muito cultas e mesmo prudentes; mesmo assim, sua vida gira em torno delas mesmas e das coisas materiais — sexo, arte, música, o que quer que seja — que lhes dão prazer. O paradoxo da vida nesse nível é que, no fim, ela leva à infelicidade. A pessoa egocêntrica, estética, não encontra na vida um significado fundamental nem satisfação verdadeira. Assim, a vida estética leva finalmente ao desespero, a um tipo de enfado diante da vida.
 Porém isso não é o fim, pois apenas nesse ponto a pessoa está pronta para viver no segundo plano de existência, o plano ético. A transição para o estágio ético da vida é um tipo de salto para um nível mais elevado, motivado pelo desespero, em que a pessoa afirma valores morais interpessoais e orienta a vida por esses padrões objetivos. A vida já não é vivida apenas para si mesmo e para o prazer; a pessoa se vê induzida a buscar o bem ético e mudar sua conduta para conformá-la a esse bem. Assim, o ser humano no estágio ético é uma pessoa moral. A vida nesse nível, contudo, também termina em infelicidade, pois, por mais que se tente sinceramente levar a vida em conformidade com os padrões objetivos do bem, mais dolorosamente se percebe que não se consegue fazê-lo. Assim, a vida ética, quando buscada com seriedade, leva no fim à culpa e ao desespero.
Todavia, há mais um estágio ao longo do caminho da vida: o estágio religioso.Aí se encontram o perdão dos pecados e um relacionamento pessoal com Deus. Somente aqui, na comunhão íntima com seu Criador, o ser humano encontra existência autêntica e realização verdadeira. Novamente, Kierkegaard representa a transição do estágio ético para este como um salto. A decisão de crer é uma escolha sem critério, um salto de fé no escuro. Apesar de não se poder dar bases racionais ao ser humano para esse salto, se ele não o der permanecerá no desespero e na existência não autêntica.


Fonte: Apologética Contemporânea - William Lane Craig