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ESCATOLOGIA - VISÃO GERAL (parte I)


A. Definição de Termos
Antes de tratar de aspectos específicos dos eventos dos últimos dias, seria bom olhar a seqüência global como um todo. Por sua vez, antes desta visão geral, faz-se mister definir alguns termos básicos.
1.      O arrebatamento da igreja é a assunção dos redimidos deste mundo, por Cristo, imediatamente antes do começo do período de tribulação.
2.      O tribunal de Cristo é o lugar onde Cristo julgará os cristãos, imediatamente após o arrebatamento, com base na sua conduta como crentes, com o resultado que alguns receberão galardões e outros sentirão a perda de prêmios por omissão.
3.      As “bodas do Cordeiro” é um termo usado no livro de Apocalipse (19:7-10) para descrever o evento que ocorrerá entre o arrebatamento e a revelação de Cristo em poder, quando a igreja será unida eternamente com Cristo como a Sua noiva.
4.      A grande tribulação é o período de sete anos, começando após o arrebatamento, quando o mundo entra em juízo por causa dos seus pecados passados. Nesta época a nação de Israel restaurada passa pelo fogo de sofrimento para levar os judeus a uma atitude receptiva para com Cristo como seu Messias-Salvador.  
Devido a última metade deste período ser mais severa no grau de sofrimento experimentado, o termo é mais usado para se referir somente aos últimos três anos e meio do total de sete.
5.      A revelação de Cristo é um termo usado para designar a volta de Cristo à terra no fim da grande tribulação. Trata-se do retorno de Cristo com os santos da igreja, os arrebatados anteriormente, para resgatar Israel que está sendo oprimido pelo Anticristo.
6.      A batalha de Armagedom, designação tirada de Apocalipse 16:16, nomeia a batalha em Israel que traz ao clímax a grande tribulação à medida que o Anticristo vence os judeus para tomar a pátria deles para si. Uma parte da luta, provavelmente o começo, acontece no cenário histórico do Megido, ao norte de Jerusalém, mas passagens descritivas mostram que findará em Jerusalém.
7.      O juízo dos gentios é a ocasião de julgamento imediatamente após a vitória de Cristo ao resgatar Israel do Anticristo, quando uma decisão será tomada sobre quais os gentios que terão ou não entrada no milênio. O critério de julgamento será a justiça pessoal como crentes em Cristo, evidenciada pela atitude individual demonstrada durante a grande tribulação para com os "irmãos" de Cristo, os judeus.
8.      O milênio é um período de mil anos, começando logo após o julgamento dos gentios, quando Cristo reinará em justiça perfeita e paz contínua sobre a nação de Israel em particular, e sobre o mundo inteiro em geral, com os santos ressurretos, agora glorificados, na posição de auxiliares neste reinado.
9.      O grande trono branco segue ao milênio, é a ocasião em que os descrentes de todas as épocas receberão sua sentença de castigo eterno, no lago de fogo, pelos seus pecados.
10.    A perspectiva pré-milenista das coisas vindouras crê na existência de um milênio terrestre, literal, como definido, e acredita que o arrebatamento da igreja precede-o.
11.    A perspectiva pós-milenista crê na existência de um milênio literal, resultando da pregação do Evangelho e a salvação de um grande número de pessoas, com a volta de Cristo à terra no fim.
12.    A perspectiva amilenista nega a existência de um milênio literal e vê as promessas milenistas como sendo cumpridas num reinado espiritual; uns defensores dizem que este é o reinado de Cristo sobre Sua igreja aqui na terra, e outros que é o reino de Deus sobre os santos nos céus.
13.    A perspectiva pré-tribulacionista assegura que o arrebatamento da igreja será não somente pré-milenar mas também pré-tribulacional; isto é, ocorrerá antes do começo da grande tribulação, significando que a igreja não passará por este período de grande sofrimento.
14.    A perspectiva pós-tribulacionista concorda com a visão pré-tribulacionista que o arrebatamento será antes do milênio, mas assegura que ocorrerá após a grande tribulação, significando que a igreja estará na terra durante este período de sete anos.
15.    A perspectiva mid-tribulacionista também concorda que o arrebatamento será pré-milenar, porém assegura que ocorrerá na metade da grande tribulação, significando que a igreja não experimentará a última metade deste período quando o sofrimento será mais severo.
Fonte: Leon J. Wood - A Bíblia e os Eventos Futuros.

ESCATOLOGIA - VISÃO GERAL (parte II)


B. Sequência de Eventos.
Segue-se a sequência dos eventos dos últimos dias como assegurada pelos pré-milenistas e pré-tribulacionistas. É importante manter esta sequência em mente para que os muitos fatores envolvidos, e que são apresentados com mais profundidade nos capítulos seguintes, possam ser melhor compreendidos e inter-relacionados à medida em que são apresentados.
1.  O arrebatamento da igreja
A primeira ocorrência na sequência dos eventos dos últimos dias é o arrebatamento da igreja. Nesse dia Cristo voltará para encontrar-se com a igreja, Sua noiva, nos ares (1 Ts 4:17), sem descer até a superfície da terra. Cristãos vivos serão arrebatados para o encontro com Ele e receberão corpos glorificados no mesmo instante (1 Co 15:52-54). Estes corpos glorificados serão como o corpo ressurreto de Cristo (1 Jo 3:2), não mais. limitados pelas leis da natureza como são os nossos corpos presentes (Lc 24:31; Jo 20:19,26; At 1:9). Os mortos em Cristo serão ressuscitados e receberão corpos glorificados para que possam encontrar-se com Cristo nos ares, precedendo os cristãos vivos (1 Ts 4:16,17). Esta ressurreição incluirá somente os santos da igreja, e será uma fase da chamada "primeira ressurreição" (Ap 20:5,6); duas outras fases surgirão mais tarde. Os santos da igreja assim unidos com Cristo estarão com Ele, no céu, durante os sete anos de tribulação na terra.
Durante este período, dois eventos primordiais ocorrerão no céu envolvendo estes santos. O primeiro é o seu julgamento por Cristo, que se chama de "o tribunal de Cristo" (Rm 14:10; 2 Co 5:10). A matéria tratada não será a salvação, porque somente os salvos estarão lá. Serão julgados conforme as suas obras como crentes, "o que tiver feito por meio do corpo" (2 Co 5:10), para distinguir entre as obras boas e aceitáveis e as que são más e reprováveis. Os primeiros receberão galardões, mas os últimos terão um sentimento de perda (1 Co 3:14,15). O segundo evento será o casamento de Cristo e a igreja, que se chama "as bodas do Cordeiro" (Ap 19:9), quando a igreja, já julgada, será unida eternamente a Cristo como Sua noiva.
2. A grande tribulação
O período chamado a grande tribulação (Mt 24:21) começará logo após o arrebatamento, embora possa haver um lapso de tempo para permitir o desenrolar de certos acontecimentos necessários. Estes acontecimentos incluiriam, por exemplo, a restauração da Confederação Romana com o Anticristo como seu líder (2 Ts 2:3). O período durará sete anos, como mostra sua identificação com a septuagésima semana de Daniel (Dn 9:27). Durante este tempo uma série de castigos catastróficos cairá sobre a terra, simbolizados pela abertura de sete selos (Ap 6:1-17), pelo toque de trombetas (Ap 8:1-9;11:15-19), e o derramamento de "taças da cólera de Deus" (Ap 16:1-21).
Estas punições, que trarão destruição enorme, serão destinadas principalmente para o mundo gentio como retribuição por sua rejeição contínua a Deus e à Sua vontade durante todas as épocas. Os judeus de Israel provavelmente serão poupados em grande parte destas punições (Is 26:20,21), mas experimentarão opressões severas nas mãos do Anticristo durante a segunda metade do período, opressão chamada "o tempo de angústia para Jacó" (Jr 30:7). O Anticristo fará um pacto com eles (Dn 9:27) no começo dos sete anos, prometendo um período de descanso e paz. Contudo, no meio do período quebrará o pacto, proibindo os sacrifícios e ofertas no Templo (restaurado neste tempo). Então se tornará tamanho inimigo quanto antes era seu amigo. Conquistará toda a sua terra, incluindo a cidade de Jerusalém (Zc 14:2), podendo até fixar residência lá (Dn 11:45). Os horrores praticados resultarão na exterminação de dois terços da população judaica (Zc 13:8,9). Estas aflições serão permitidas por Deus como meio de purificar os judeus, "como se purifica a prata, e...como se prova o ouro" (Zc 13:9), para que estejam preparados para receber Cristo como seu Messias e Rei quando Ele vier libertá-los do Anticristo (Zc 14:3,4; Ap 19:11-21).
3. A revelação de Cristo
Esta libertação realizada por Cristo ocorrerá depois que o Anticristo tiver vencido completamente o Israel. O exército do Anticristo estará no "vale de Josafá" (Jl 3:12) provavelmente descansando após a batalha. Este vale mais se identifica com o Vale Cidrom, à base do Monte das Oliveiras, separando a montanha de Jerusalém. Perante este exército todo, Cristo voltará com uma demonstração de poder (2 Ts 1:7,8; Ap 19:14,15), ao Monte das Oliveiras, que será partido pelo meio (Zc 14:4). Seu primeiro ato será jogar ambos, Anticristo e seu assessor principal, O Falso Profeta, (Ap 13:11-18) no lago do fogo (Ap 19:20). Então exterminará todo o exército deles no vale (Ap 19:21). Os judeus de Jerusalém serão testemunhas oculares desta destruição, e isto os incentivará a aceitar unânimes Cristo como seu Redentor e Rei. Neste ponto da sequência, vários eventos proféticos se cumprirão, necessitando assim de atenção especial:
a. Julgamento dos gentios. Um destes acontecimentos é o julgamento, por Cristo, dos gentios, feito aqui na terra (Mt 25:31-46). O julgamento será por indivíduo, e a base será a atitude de cada um com relação aos judeus, os "irmãos" de Cristo (Mt 25:40). Os que foram amistosos com eles serão chamados ovelhas e serão colocados à destra de Cristo, e os que foram hostis serão chamados cabritos e serão postos à esquerda de Cristo (Mt 25:32,33). Porque os denominados cabritos serão condenados a castigo eterno (Mt 25:46), esta atitude manifestada para com os judeus deve ser considerada como evidência de uma atitude íntima para com Cristo. Quer dizer, os amistosos assim demonstram fé pessoal em Cristo, os hostis mostram a sua falta de fé. Chega-se a esta conclusão porque o restante das Escrituras declara claramente que a atitude pessoal do indivíduo para com Cristo é a base final em relação ao estado final de cada um. Também se evidencia pelo reconhecimento do tipo de pessoas que demonstrarem amor aos judeus. Deve se lembrar que os judeus serão o povo oprimido da época, perseguido pelo Anticristo. Somente gentios com uma fé verdadeira em Cristo demonstrarão bastante convicção e coragem para serem amigos dos judeus. Aqueles denominados ovelhas terão o privilégio de entrarem no milênio, que significa que um propósito principal deste julgamento será a escolha daqueles que receberão esta bênção.
b. Ressurreição dos santos do Antigo Testamento e da tribulação. O segundo evento desta época é outra ressurreição de santos. Esta ocasião ainda se chama a "primeira ressurreição" (Ap 20:4-6), porque trata de santos e não descrentes. A segunda ressurreição, correspondendo à "segunda morte" de Apocalipse 20:6,14, que trata de descrentes, não ocorrerá até o final do milênio. Os ressurretos nesta segunda fase da primeira ressurreição serão os santos da tribulação, aqueles que morreram após terem sido salvos durante a tribulação (Ap 6:9), e também os santos do Antigo Testamento, e que evidentemente não serão ressuscitados com os santos da igreja no arrebatamento. Daniel, um santo do Antigo Testamento, ouviu a promessa que receberia a sua "herança...ao fim dos dias" (Dn 12:13; cf. 12:2). Quer dizer que ressuscitará dos mortos para receber a sua posição no fim dos dias dis-cutidos no contexto imediatamente anterior, isto é, os dias da tribulação. Ambos os grupos receberão corpos glori-ficados na época e se reunirão com os santos da igreja para auxiliar Cristo no Seu reinado sobrei) mundo (Ap 20:4).
c. Prisão de Satanás. Satanás estará muito ativo durante o período da tribulação, trabalhando diretamente através do Anticristo (2 Ts 2:9; Ap 13:2), que também se chama "o homem da iniqüidade" (2 Ts 2:3). Entretanto, ele será acorrentado e impedido de exercer qualquer influência durante o milênio (Ap 20:1-3). Será lançado numa prisão, chamada "o abismo", de onde não terá acesso às mentes dos homens. Com o seu trabalho parado durante este período de mil anos, e com Cristo como Rei justo de toda a terra, "a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar" (Is 11:9).
d. O reino estabelecido. O reino milenar será estabelecido nesta época. Vários assuntos serão tratados antes da inauguração. Por exemplo, as fronteiras da nação de Israel, "desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates" (Gn 15:18), terão que ser definidas. Não será difícil na hora, porque todas as forças de oposição serão derrotadas, e Cristo terá autoridade completa sobre o mundo. Além disto, Cristo nomeará santos glorificados para ocupar suas respectivas posições de comando.
4. O milênio
Com todos estes assuntos efetuados, será iniciado o período glorioso do milênio. Nessa época histórica a vontade de Deus será verdadeiramente cumprida no mundo. Como resultado, Israel especificamente e o mundo gentio em geral gozarão o modo de vida abençoado que poderiam ter usufruído no passado, se tivessem se comportado em obediência à vontade de Deus. Durante este reinado de mil anos, Cristo reinará como Rei soberano, e sob Ele haverá três grupos de pessoas como súditos. Em primeiro lugar virá a multidão de santos glorificados, aqueles que retornaram com Cristo como Sua igreja e aqueles que foram ressurretos da morte como santos da tribulação ou do Antigo Testamento. Estas pessoas, reinando com Cristo com corpos glorificados, não serão limitados por qualquer restrição normal da terra, assim como Cristo não o era depois de receber o Seu corpo glorificado (Jo 20:19,26; At 1:9). Em segundo lugar terá a nação de Israel, composta dos judeus que aceitaram Cristo como seu Messias-Rei. Serão incluídos aqueles que confiaram nEle durante a tribulação e os que chegaram a crer nEle devido a Sua libertação final. Em terceiro lugar virá o povo gentílico do mundo todo, que foi julgado digno de entrar no milênio por Cristo no tribunal dos gentios. Os dois últimos grupos serão constituídos de pessoas normais que não morreram, nem receberam corpos glorificados. Continuarão suas vidas como em qualquer outra época na história, exceto pela presença de justiça em vez de pecado. Casarão, terão filhos, empregos, e morrerão à medida que geração segue geração, durante os mil anos. No começo serão relativamente poucos, mas com o passar das gerações, com vidas longas (veja Is 65:20) e, provavelmente, famílias grandes, seu número aumentará rapidamente. Sob condições tão favoráveis, a população, no fim do milênio, poderá se igualar ou até mesmo ultrapassar o número presente. O grande número de crianças nascidas será conduzido a crer em Cristo, porque a influência do bem será tão forte quanto a do mal é hoje em dia. Entretanto, parece que alguns serão rebeldes, provocando assim o uso da "vara" disciplinar de Cristo (Sl 2:9; Is 11:4). Será nesses, aparentemente, que Satanás encontrará recrutas suficientes no fim do milênio para fazer um último mas inútil esforço para controlar o mundo (Ap 20:7-9). O povo da terra gozará bênçãos constantes durante o período, e a nação de Israel será o líder mundial (Dt 28:1-14).
5. O tribunal do grande trono branco
A segunda ressurreição ocorrerá após o milênio e incluirá os descrentes de todas as épocas. Serão colocados perante "um grande trono branco" para julgamento. O local deste trono será aparentemente em algum lugar entre o céu e a terra, pois Apocalipse 20:11 diz que "fugiram a terra e o céu" diante do rosto dAquele que sentava no trono. O propósito desta ocasião é o julgamento das más obras dos descrentes e o pronunciamento da sentença de morte eterna sobre eles. Todos serão lançados no lago do fogo, onde haverá separação eterna de Deus e sofrimentos sem fim.
O terceiro aspecto da primeira ressurreição ocorrerá nesta mesma época. Incluirá santos que morreram durante o milênio. As Escrituras não falam desta ressurreição, mas a lógica indica que ocorrerá. Se estes santos vão receber corpos glorificados antes de entrar no estado eterno, a seguir, então têm que ressurgir nesta hora para recebê-los.
Fonte:  Leon J. Wood - A Bíblia e os Eventos Futuros.

ESCATOLOGIA - VISÃO GERAL (parte III)



C.       Uma Breve História dos Pontos de Vista;
Vários pontos de vistas sobre eventos dos últimos dias têm sido sustentados durante os séculos da história da igreja. É importante notar os pontos principais. A evidência de certo ponto de vista não é fortalecida porque apareceu mais cedo ou tem mais seguidores; mas se pode ganhar confiança num certo ponto de vista, sabendo que outros estudiosos bíblicos durante grandes períodos de tempo asseguraram-no.
1.      Os primeiros dois séculos da história da igreja.
Há um consenso geral entre eruditos que a visão escatológica da igreja primitiva era pré-milenista. Isto é, cristãos asseguravam que Cristo reinaria sobre um reino literal, terrestre, por mil anos, auxiliado por santos arrebatados. Até onde se sabe, nenhum dos líderes dos primeiros dois séculos discordou deste ponto de vista. Segue-se uma lista daqueles que pensavam dessa forma: do primeiro século, Aristides, João o presbítero, Clemente de Roma, Barnabé, Hermas, Inácio, Policarpo, e Pápias; do segundo, Plotino, Justino Mártir, Melito, Hegesipo, Taciano, Ireneu, Tertuliano, e Hipólito.s Embora nem todos tenham proclamado o seu ponto de vista com a mesma clareza, alguns deram indicações bem claras da sua posição pré-milenista. Dois destes são especialmente significativos. Primeiro é Pápias (80-163 d.C), que não somente declarou claramente o seu próprio ponto de vista, mas acrescentou que o mesmo era defendido pelos apóstolos André, Pedro, Filipe, Tomé, Tiago, João e Mateus. Pápias estava numa posição favorável para conhecer os pensamentos da igreja primitiva, pois Ireneu afirma que ele era um seguidor de João e um íntimo de Policarpo. Pode se concluir então que, na igreja primitiva, era conhecido que os apóstolos de Cristo eram pré-milenistas.O segundo é Justino Mártir, do segundo século, que não somente declarou a sua posição pré-milenista mas acrescentou que era o ponto de vista de todos os cristãos ortodoxos.
2.      O terceiro século
No terceiro século o ponto de vista pré-milenista continuou a ser assegurado por muitos. Peters alista os seguintes defensores: Cipriano, Cômodo, Nepos, Coracion, Vitorino, Metódio, e Lactâncio. Ao mesmo tempo, este século viu surgir oposição a este ponto de vista. Líderes opositores foram Gaio, Clemente de Alexandria, Orígenes, e Dionísio. Esta oposição surgiu de um novo método de - hermenêutica- O método alegórico de interpretar a Escritura veio a tomar o lugar do antigo método literal e, desde que a posição pré-milenista era baseada no princípio literal, caiu no descrédito. Para ser justo, acrescento que nenhum discípulo do amilenismo atual (que também rejeita a interpretação literal das passagens sobre o milênio) aceita o método alegórico usado naquela época.
3.      O quarto século
Concorda-se geralmente que no quarto século viu-se o declínio do pensamento pré-milenista. Poucos favoreceram esta posição. Em vez disso, teólogos começaram a interpretar conceitos pré-milenistas como símbolos de verdades relacionadas à igreja. Discerne-se o começo do pensamento amilenista aqui. Peters cita os seguintes fatores que contribuíram para esta mudança de ponto de vista: 1) várias doutrinas errôneas surgiram, tais como Gnosticismo, Asceticismo, e Docetismo, que não se reconciliavam com a idéia de um reino terrestre futuro. 2) O Judaísmo, tendo já começado na igreja primitiva, ganhou forças e resultou em maior inimizade entre cristãos judeus e gentios. Isto, por sua vez, contribuiu para a negação do milênio, visto que o milênio tinha um caráter distintamente judaico. 3) o Imperador Constantino fez do Cristianismo a religião oficial da Roma, que resultou numa perda de esperança entre os cristãos para o retorno de Cristo, visto que a igreja não estava sendo mais perseguida. Muitos cristãos acreditavam que esta supremacia temporária do Cristianismo era o cumprimento real das promessas milenistas, uma opinião declarada oficialmente por Roma.
4. O surgimento de amilenismo
Embora possa traçar o começo do pensamento amilenista no terceiro século, Agostino (354-430 d.C.) recebe o crédito merecido por ser o primeiro a sistematizar este conceito não-literal do milênio. Era um teólogo muito competente, e o seu pensamento veio a pesar muito em todas as discussões doutrinárias da Igreja Romana após a sua época. Ele apresentou o seu ponto de vista principalmente no seu livro conhecido, "A Cidade de Deus", em que declarou que a igreja visível era o reino de Deus na terra. Cria que o milênio deveria ser interpretado espiritualmente como cumprido na igreja. Acreditava que a prisão de Satanás havia ocorrido durante o ministério terrestre de Cristo; que a primeira ressurreição deveria ser identificada com o novo nascimento do crente, e que o milênio, portanto, deveria coincidir com o presente período da igreja. Com a Igreja Romana aceitando este ponto de vista, tornou-se a posição dominante por séculos, embora certos grupos, afastados da igreja mãe e considerados heréticos na época, continuassem a assegurar princípios pré-milenistas. Entre estes ficaram os Valdenses, os Paulicianos, e os Albigenses.
5.      O surgimento do pós-milenismo
Os lideres da Reforma continuaram no pensamento amilenista, embora deva ser reconhecido que deram pouca atenção aos assuntos dos últimos dias. Sua maior preocupação era com a área de salvação, o ponto principal de sua diferença com a Igreja Romana. Deve-se notar que enfatizaram um retorno ao método literal de interpretação, e isto, além das suas intenções, providenciou o alicerce para um retorno ao pré-milenismo. Mas não foi o pré-milenismo que trouxe uma mudança no pensamento escatológico, e sim uma visão nova que veio a ser chamada de pós-milenismo. Considera-se que foi Daniel Whitby (1638-1726), um Unitariano liberal, que deu origem a este ponto de vista. Algumas das suas idéias básicas foram apresentadas até no décimo segundo século por Joaquim de Floris. Whitby viu uma era maravilhosa para a igreja no futuro, com o apogeu num milênio feito por homens. Outros liberais o seguiram, atraídos pela conveniência deste ponto de vista com o progresso do homem na sociedade, na ciência, e na tecnologia. Estudiosos bíblicos conservadores também foram atraídos, porque a teoria voltava à idéia de um reino terrestre, que achavam ser mais compatível com numerosas passagens bíblicas. Como resultado, dois tipos de pós-milenismo foram criados, liberal e conservador; o primeiro vendo o homem fazer o seu próprio milênio por progresso natural, e o segundo visando o milênio como o resultado de um número crescente de pessoas sendo salvas por fé em Cristo. Pós-mílenismo foi aceito extensivamente pelos teólogos mais conceituados. Recebeu um golpe severo pelas duas Guerras Mundiais deste século, que demonstraram que o homem não estava fazendo o progresso que fora previsto.
6.      Reavivamento do pré-milenismo
Com o surgimento do pós-milenismo houve um sensível retorno ao pré-milenismo, após os primeiros dias da Reforma. Resultou, como já foi notado, da volta aos princípios literais de interpretação. O movimento demorou a se desenvolver no começo, mas gradativamente ganhou ímpeto à medida que homens de renome foram persuadidos a favor dele. Entre estes estão os seguintes: Bengel, Steir, Alford, Lange, Meyer, Fausset, Bonar, Ryle, Tregelles, Lightfoot, e Darby. Devido a liderança e influência de tais homens, o último século tem presenciado uma grande ênfase na posição pré-milenista. Acrescenta-se também que amilenismo tem experimentado um reavivamento, com a influência decrescente de pós-milenismo. Atualmente as duas posições principais são pré-milenismo e amilenismo.
Perguntas para Recapitulação
 1.   Defina os seguintes termos:
Arrebatamento                                          julgamento do grande trono branco
tribunal de Cristo                                      conceito pré-milenista
bodas do Cordeiro                                     conceito pós-milenista
grande tribulação                                      conceito amilenista
revelação de Cristo                                   conceito pré-tribulacionista
a batalha de Armagedom                          conceito pós-tribulacionista
julgamento dos gentios                             conceito mid-tribulacionista
milênio
2.      Onde os santos ressurretos se encontrarão com Cristo no arrebatamento?
3.      Que dois eventos podem ocorrer entre o arrebatamento e o começo da tribulação?
4.      Com que propósito a tribulação servirá para os gentios?
5.      Com que propósito servirá para os judeus?
6.      O que acontecerá ao Anticristo, ao Falso Profeta e o seu exército na revelação de Cristo?
7.      Que prova Cristo usará para julgar os gentios?
8.      Quando os santos do Antigo Testamento e da tribulação serão ressurretos?
9.      Qual o significado de Satanás ser aprisionado durante o milênio?
10.    Que assuntos Cristo terá de tratar em preparação para a inauguração do reino milenar?
11.    Que três grupos de pessoas serão súditos durante o reino milenar de Cristo?
12.    Será que pessoas rebeldes e pecaminosas viverão durante o milênio? Justifique sua resposta.
13.    Que dois grupos de pessoas serão ressurretos após o milênio?
14.    Que conceito sobre o futuro prevaleceu durante os primeiros dois séculos da história da igreja?
15.  Como o conceito alegórico, surgido durante o terceiro século, afetou este ponto de vista prevalecente?
16.    Que conceito se destacou no quarto século?
17.    Que conceito Agostino assegurou?
18.    Que dois tipos de pós-milenismo surgiram?
19.    Que dois pontos de vista sobre escatologia são mais aceitos hoje em dia?

Fonte: Leon J. Wood - A Bíblia e os Eventos Futuros.

COMO ENTENDER PROFECIA

Uma razão por que alguns cristãos permanecem desinteressados no estudo de profecia é que crêem que as passagens envolvidas são difíceis demais para interpretar. O simbolismo usado às vezes nestas passagens parece confundir, e a certeza do significado parece impossível. É uma atitude errada, porque Deus não teria incluído tanto na Sua Palavra sobre eventos futuros se a informação não fosse compreensível. Quando Cristo se despediu dos Seus discípulos, incluiu uma promessa específica sobre isto, dizendo, "Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade...e vos anunciará as coisas que hão de vir" (Jo 16:13). Cristo percebia claramente que as "coisas que hão de vir" profetizadas na Bíblia poderiam ser difíceis de reconhecer e entender, e Ele queria assegurar para os cristãos que também nesta área, Seu Espírito os guiaria. Isto significa que deve-se estudar a profecia com confiança, fazendo jus a esta promessa do Salvador. A medida que se estuda, ter-se-á grande auxílio ao observar algumas regras de interpretação.
1. Interpretar a passagem literalmente
Deve-se interpretar passagens proféticas literalmente, do mesmo modo que interpreta outras porções de Escritura. Deus não profetizou para esconder a Sua mensagem. Não pretendia que só certas pessoas, possuidores de alguma chave especial de interpretação, fossem capazes de entendê-la. Ele proclamou a verdade para que pudesse ser conhecida. Isto significa que passagens proféticas devem ser estudadas do mesmo modo que as outras porções, empregando princípios literais de bom senso na interpretação. Isto não quer dizer que linguagem figurativa não possa ser usada e reconhecida. Muitas passagens da Escritura usam metáforas. Estas avivam e ilustram a verdade apresentada. Mas são reconhecíveis sem dificuldade, tanto nas passagens proféticas quanto nas outras, e o contexto em si demonstra que são figurativas. A figura deveria ser compreendida simbolicamente, mas este simbolismo por sua vez, será de uma coisa literal.
Por exemplo, Isaías predisse que "do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes um renovo" (11:1). "Rebento" e "renovo" são expressões figurativas, mas a Pessoa que simbolizam é muito literal. A interpretação literal é que Cristo, como este "rebento" e "renovo", surgiria de um modo literal, histórico, e realizaria as coisas profetizadas no restante da passagem.
A escola de profecia amilenista nega este princípio de interpretação, sustentando o princípio de "espiritualização". Isto é, seguidores deste ponto de vista, embora usem o método literal para a interpretação de outras porções de Escritura, acreditam que as passagens proféticas devem ser compreendidas "espiritualmente". Isto quer dizer que tais passagens devem ser interpretadas como símbolos de verdades relacionadas à igreja. Por exemplo, a predição que Cristo reinará sobre Israel passa a significar que reinará sobre a Sua igreja. Portanto, qualquer passagem que fala deste reino de Cristo, devia ser interpretada para significar que Cristo não estabelecerá um reino terrestre sobre Israel na Palestina seguindo o padrão dos reis do Antigo Testamento, mas um reino espiritual nos corações daqueles que pertencem a Sua igreja. Parece justo dizer que a razão principal atrás desta espiritualização é que a interpretação literal destas porções parece absurda aos amilenistas. Cristo simplesmente não reinaria aqui na terra de uma maneira literal.
Em resposta a este tipo de pensamento, pode ser destacado que as profecias da primeira vinda de Cristo se cumpriram todas de modo histórico e literal. Algumas devem ter parecido absurdas na época, por exemplo, o nascimento virginal, os milagres, a crucificação, e a ressurreição. Mas a história provou que não foram dadas para ter significado simbólico. E, portanto, não existe nenhuma razão lógica para crer que as profecias acerca da Sua segunda vinda tenham cumprimento de forma diferente.
O erro de espiritualização profética pode ser demonstrado por estudar brevemente uma passagem particular. Em Lucas 1:31-33, o anjo Gabriel fala com Maria sobre o nascimento de Jesus. Ele diz que ela conceberá e dará a luz a um filho que se chamará Jesus, e que será chamado "Filho do Altíssimo"; depois acrescenta as palavras, "Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim".
A passagem inteira é uma, não dando nenhum indício de que uma parte devia ser interpretada de um modo literal e outra parte de forma figurada. Mas o amilenista aceita a primeira parte em referência ao nascimento de Cristo literalmente, e a segunda parte se referindo ao Seu reinado, espiritualmente.
2.  Reconhecer a possibilidade de um intervalo de tempo
Algumas passagens proféticas misturam referências aos eventos futuros, separados por grandes espaços de tempo no seu cumprimento, de um modo que o intervalo entre eles não é reconhecido. Em tais porções, o escritor das Sagradas Escrituras, vendo de longe estes eventos, avistou-os como os picos de uma montanha, sem perceber que vales de tempo corriam entre eles. Isto é verdade especialmente falando dos eventos cercando o primeiro e segundo adventos de Cristo. Um exemplo claro se encontra em Isaías 61:1,2 que Cristo leu na sinagoga de Nazaré (Lc 4:16-21). A maior parte da passagem prediz aspectos do primeiro advento de Cristo, incluindo Ele ter sido ungido "para pregar boas-novas aos quebrantados,...a curar os quebrantados de coração, a proclamar  libertação aos cativos, e a por em liberdade os algemados; a apregoar o ano aceitável do Senhor". A última parte da passagem que é paralela gramaticamente à primeira parte, se refere ao segundo advento de Cristo: "E o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram". Aqui, então, referências aos dois adventos que são separados por dois milênios de tempo, são incluídas na mesma passagem, e não há pista referente a um lapso de tempo. Jesus mesmo, ao ler a porção, evidenciou o intervalo quando incluiu na Sua leitura somente a parte referente à primeira vinda, acrescentando com significado especial as palavras, "Hoje se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir". Quando o intérprete chega a uma porção de características semelhantes, deve reconhecer o espaço de tempo envolvido. A comparação com outras passagens proféticas onde a distinção de tempo se identifica, especialmente nas revelações posteriores do Novo Testamento, providenciará a ajuda necessária.
3. Reconhecer a possibilidade de um cumprimento duplo
Não somente podem duas épocas proféticas ser tratadas numa passagem só, mas as mesmas palavras podem referir-se a mais de um tempo de cumprimento. Isto é, pode ter um cumprimento parcial anterior e um posterior cumprimento completo. Conhece-se este fato como a lei de referência dupla na profecia. Um bom exemplo pode ser tirado na predição de Isaías sobre um sinal a ser dado a Acaz. O sinal era necessário para assegurar a Acaz que Deus brevemente livraria Jerusalém de um cerco pelos reis de Israel e Síria. O profeta identificou o sinal como o nascimento de uma criança; antes que a criança conhecesse o bem e o mal, a libertação seria efetuada (Is 7:14-16). Esta profecia deve ter sido cumprida no tempo de Acaz para significar alguma coisa para ele. O cumprimento se identifica melhor com o nascimento do filho do próprio Isaías, Rápido-Despojo-Presa-Segura (Is 8:1-4). Isto não poderia ter sido o cumprimento completo porque a criança a nascer seria o filho de uma virgem, e o seu nome seria Emanuel. Este cumprimento completo veio somente com Cristo, como constata Mateus 1:22,23. O intérprete de profecia deve reconhecer a possibilidade de referências duplas semelhantes em outras passagens e discernir o seu significado do mesmo modo.

Fonte: Leon J. Wood - A Bíblia e os Eventos Futuros

OS BENEFÍCIOS DO ESTUDO PROFÉTICO

A experiência diária e as declarações claras das Escrituras testificam do valor significativo do estudo das passagens proféticas. Seguem-se vários benefícios.

1. Estímulo espiritual

A própria Bíblia esclarece que um conhecimento profético é de grande estímulo espiritual. Quer dizer, incentiva o cristão a viver uma vida agradável a Deus. Em 1 João 3:3, onde se refere à segunda vinda de Cristo, lê-se o seguinte: "E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro". Jesus também relacionou pureza de vida à segunda vinda em Mateus 16:24,27, dizendo, "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me"; e incentiva com estas palavras, "Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um conforme as suas obras". Também Paulo, em Colossenses 3:4,5, persuade-nos, "Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno, e a avareza, que é idolatria", dando como incentivo, "Quando Cristo, que é a vossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com ele, em glória". As Escrituras relacionam aspectos específicos da vida santa à segunda vinda: por exemplo, uma vida sóbria em 1 Tessalonicenses 5;2-6, 1 Pedro 1:13 e 4:7; fidelidade no serviço, Mateus 25:19-21, Lucas 12:42-44, 19:12,13; moderação, Filipenses 4:5; paciência na provação, Hebreus 10:36,37, Tiago 5:7,8: santificação pessoal, 1 Tessalonicenses 5:23; obediência a Deus, 1 Timóteo 6:13,14; santidade de atitude, 2 Pedro 3:11-13.
Verifica-se o íntimo relacionamento que existe entre o conhecimento de profecia e a pureza de vida ao observar os crentes numa congregação normal, Pastores testificam que os membros mais devotos e fiéis são aqueles que têm consciência dos eventos dos últimos dias e aguardam a volta de Cristo. Aqueles que esperam a volta de Cristo sentem um desejo proporcional de viver para o Seu inteiro agrado. É lógico que o cristão gostaria de ser encontrado obediente a Deus por ocasião da volta de Cristo. Um reconhecimento da Sua volta iminente leva também a um senso de intimidade com Cristo, que por sua vez leva a um amor mais profundo e uma devoção maior. Viver com essa expectativa é realmente uma parte fundamental da experiência cristã. Os autores do Novo Testamento foram guiados pelo Espírito Santo a incentivar os crentes da sua época a vigiar (veja Rm 13:12; 1 Pe 4:7). A esperança da Sua volta leva o crente a focalizar os seus pensamentos e conduta em Cristo.

2. Satisfação intelectual

O cristão experimenta uma grande satisfação intelectual ao saber o que vai acontecer no futuro. Deus concedeu ao homem uma mente que é capaz de pensar e conhecer. O homem pode usar este instrumento maravilhoso para glorificar a Deus ou não. As maneiras que mais glorificam a Deus são aquelas que tratam de Deus e de Sua vontade para com o mundo. Portanto, o crente deveria passar muito tempo no estudo da Bíblia para aprender sobre Deus e Seus feitos entre os homens. Muitas obras de Deus foram feitas no passado, e o estudo destas leva a um reconhecimento maior da grandeza e amor de Deus. Entretanto, há ainda muitos feitos que estão para acontecer no futuro e que já foram anunciados. Deus não teria dado tantas informações sobre estes eventos, se não quisesse que o homem os conhecesse e louvasse a Deus por eles. A medida que o homem conhece estes eventos profetizados e louva a Deus, experimenta um significativo contentamento intelectual. A pessoa tem a sensação de realização espiritual porque satisfez a sua curiosidade legítima sobre o futuro e experimentou outra área de verdade em que pode glorificar a Deus.

3. Estabilidade psicológica

O estudo profético não somente satisfaz a mente, mas também estabelece um equilíbrio emocional. Há uma necessidade disto no nosso mundo moderno onde há tantas coisas que levam o homem a frustração e desilusão. Certos padrões e valores de vida que foram aceitos em determinada época, são mudados periodicamente, e há grandes inversões de valores. Assim, torna-se fácil perder o senso de equilíbrio em julgar os valores. Em que ele pode se basear? Onde ele pode procurar segurança? Para o descrente, o futuro é muito ameaçador. Será que manterá o seu emprego? Como estará a sua saúde? Ele vai perder um parente num acidente? O mais incerto é a morte. Embora ele tente esconder estas incertezas sob uma fachada de falsa confiança, ainda sabe que estas perguntas são bem reais. A resposta para elas (e a paz de espírito que tanto precisa) encontra-se unicamente num relacionamento salvador com Cristo. E para aquele que goza deste relacionamento, um conhecimento dos eventos futuros como profetizados na Bíblia é vital em providenciar o almejado senso de paz e segurança. Não importa o que acontecer hoje, o cristão pode conhecer o esboço do programa de Deus para o futuro e saber que está seguro (Ap 2:25; 3:11).

4. Conforto no Pesar

A Bíblia fala muito do conforto que um conhecimento profético dá ao cristão sofredor. Este sofrimento muitas vezes é o pesar que sente quando um ente querido morre. A pessoa sente uma perda muito grande, com saudades daquele companheirismo antes gozado. Mas recebe real consolação através do conhecimento que a pessoa amada está com o Senhor e que, no futuro, vai se encontrar com ela no céu. Paulo falou desta verdade em 1 Tessalonicenses4:16-18: "Porquanto o Senhor mesmo, dada a Sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras."
O sofrimento pode também vir através de perseguição. Um conhecimento da segunda vinda de Cristo dá consolo no meio de opressão e dificuldades desta natureza. Baseado nisto o crente sabe que o livramento da perseguição pode vir a qualquer hora. Acerca desta verdade Pedro disse, "Alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também na revelação de sua glória vos alegreis exultando" (lPe 4:l3;cf. 1:7).
Outro tipo de sofrimento vem por calúnia ou desentendimento. Uma pessoa pode ser magoada nos relacionamentos sociais, intencionalmente ou não. A ferida pode ser profunda, mas o conforto vem em saber que um dia a verdade de todo problema desta natureza será revelada, "E então cada um receberá o seu louvor da parte de Deus" (1 Co 4:5). O resultado pode e deve ser de alegria em lugar de tristeza à medida que se aguarda a vinda do Senhor. Esta verdade estava na mente de Jesus quando prometeu aos discípulos que, embora fosse deixá-los, iria preparar um lugar no céu para eles e retornaria para levá-los de volta (João 14:3).

5. Convicção para o serviço

O reconhecimento da volta de Cristo para buscar Sua igreja leva o cristão a uma forte convicção no serviço de Deus. Esta persuasão relaciona-se ao desejo de santidade de vida. O crente deseja não somente viver com fidelidade, mas também servir com devoção. Vê a necessidade de ser ativo na obra de Deus para que os seus amigos e parentes ouçam o Evangelho e se salvem. Sente-se motivado a se preparar para sua apresentação perante o tribunal de Cristo. Paulo fala disto em 2 Coríntios 5:9,10: "É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para Lhe ser agradáveis. Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo" (cf. 2 Tm 4:1,2).
Um conhecimento dos eventos proféticos leva o cristão a avaliar melhor o uso do seu tempo. Isto impõe uma dedicação maior. Também lhe desenvolve a alegre expectativa de ter servido com integridade quando o Senhor voltar para buscar os Seus. Paulo fala de uma "coroa de justiça" guardada para todos aqueles que "amam a Sua vinda" (2 Tm 4:8). Pedro promete uma "coroa de glória imarcescível" aos líderes de igrejas que servem bem (1 Pe 5:2-4). A alegria de ver o próprio Cristo e Sua aprovação pelo trabalho bem feito tornarão muito feliz a expectativa da Sua vinda. Pensar naquele momento incentiva o cristão a servir bem durante este tempo de espera.

Fonte: Leon J. Wood – A Bíblia e os Eventos Futuros